Entrevistas

 

Adriana Piacsek

Bi-Campeã do Troféu Brasil de Triathlon, Adriana Piacsek vem mostrando nos últimos anos ser uma atleta de excelente regularidade, e uma das esperanças brasileiras para o Internacional de Santos que acontece no próximo dia 11 de fevereiro.

 

 

TotalSport - Para começar, uma pergunta que não poderia faltar, gostaríamos que você falasse para os nosso leitores sobre seu começo no Triathlon.

Adriana Piacsek - Comecei à praticá-lo em maio de 1992, quando cursava a faculdade de Educação Física na USP. Fui assistir uma prova lá mesmo, e me apaixonei quando vi as nossas antigas atletas, (que hoje não correm mais) competindo; nomes como, Aglaé Menezes, Liane Beretta, Rosana Merino, entre as ainda atuantes Fernanda Keller, Cristina de Carvalho e Nelma .

TS - Você venceu seu primeiro Troféu Brasil em 1999, desbancando a grande favorita Fernanda Keller por apenas meio ponto, como foi vencer este torneio que é o que tem o maior índice técnico dos Campeonatos Brasileiros?

AP Em 1996, me tornei vice Campeã do troféu Brasil, me aproximando cada vez mais da atleta que era considerada sem dúvida a melhor triatleta brasileira ; em 97, as competições foram acirradas, ela venceu 3 das 5 etapas e eu 2. Felizmente regras são feitas para serem cumpridas, e a última etapa tinha peso 2, o que acabou me favorecendo. No entanto, eu nunca imaginara ganhar o Campeonato, visto que ela precisaria garantir até o 3o lugar para ser campeã. Mas aquele era meu dia, Zezé e Sandra a ultrapassaram, e ela acabou ficando com o 4o lugar, com a tal diferença de 0,5 pontos. Acho que o título, foi um dos mais emocionantes da minha carreira.

TS - E o Troféu Brasil de 2000? A emoção foi igual ao de 1997? Podemos considerar você a grande favorita para 2001?

AP Não, sem dúvida nenhuma não há comparação, este ano foi muito abafado pelos jogos Olímpicos, o que acabou dividindo os atletas. Além do mais, foi um ano de retorno para mim que vim de uma contusão, a qual me fez perder o ano de 99. Quanto ao favoritismo para 2001, acredito que eu faça parte de um grupo de 5 excelentes atletas que brigarão pelo 1o lugar no pódium.

TS - Você não disputou as provas oficiais de 2000, você pretende participar do Campeonato Brasileiro de 2001?

AP Sim pretendo, se houver condições financeiras de algum patrocinador que arque com tais despesas como passagem e hospedagem, pois infelizmente neste país, ou você tem um "paitrocinio" cheio da grana, que te banca, ou você tem um patrocínio decente que dá condições do atleta chegar onde deve.

TS- O critério para a classificação olímpica foi muito criticado pelos países sul-americanos, entre outros, que acusaram o processo de favorecer os atletas dos países da Oceania e Norte Americanos (Canadá e EUA). Com a permanência deste critério, quais são as chances dos brasileiros e a sua para as Olimpíadas de 2004?

AP As chances são as mesmas para todos, basta apenas investimento, pois um atleta precisa de anos de preparação para um evento como este; ele precisa primeiramente de um grande patrocinador que acredite nele e invista, pois fazer o circuito mundial envolve muitos gastos (pois o atleta deve estar no Ranking mundial), ou seja viajar o mundo inteiro. Quanto a critica dos países Sul-americanos, acho que tem fundamento até certo ponto , pois o critério de provas sem dúvida acaba favorecendo certos países. Mas porque não agem ao invés de criticarem? É tão simples , basta alguns milhares de dólares , e o problema está resolvido, há lugares fantásticos para a realização de provas, como Ilhéus (já fez parte do circuito na era da roubalheira), Vitória, Rio, São Paulo, Isla Margarita na Venezuela, San Andrés, na Colômbia , etc.

TS - Qual é a maior dificuldade que um atleta de um esporte que não é da grande massa, como o futebol, tem para conseguir patrocínio? O que o patrocinador busca, e o que você acha que o triathlon pode oferecer?

AP Infelizmente, na minha opinião, só existe um esporte no Brasil: Futebol. Mas enfim, o atleta primeiramente para conseguir um bom patrocínio tem que ter currículum, infelizmente são quase nulos os patrocinadores que investem num amador com potencial de ser um grande atleta de elite. Eles querem o produto pronto, é assim que acontece. Quando isto acontece, o que o patrocinador busca é o óbvio, a exposição de sua marca na mídia. No entanto para que isso aconteça, é indispensável uma assessoria de imprensa. Acredito muito no crescimento deste nosso esporte, (em No ) principalmente agora, depois de sua inclusão nas Olimpíadas, mas estou um pouco pessimista quanto ao incentivo, não só no caso do triathlon, mas de todos os outros "esportes amadores". Enquanto o nosso presidente não assinar a tal lei de incentivo fiscal, não haverá alteração no quadro atual.

TS - Quais são seus objetivos para 2001?

AP Primeiramente arrumar um patrocinador que me dê todo suporte para a realização de meus objetivos: Troféu Brasil, Campeonato Brasileiro, Circuito Cross Terra e algumas provas do circuito mundial, caso isso não aconteça, meus objetivos traçados cairão pela metade, e começarei a apresentar umas propostas de assessoria esportiva para empresas, afinal preciso pagar minhas contas.

TS- O que você falaria para as pessoas que sonham em ser um atleta de sucesso?

AP- Sei que minhas respostas foram extremamente pessimistas, mas isso é fruto de experiências pessoais de uma atleta que se dedicou (e ainda se dedica) com todo amor ao esporte há 9 anos, no entanto vi e vivi muita coisa boa até o presente momento, e o que eu posso assegurar, na minha opinião, é que não há melhor forma de viver e ganhar a vida não sendo atleta. É isso aí, galera , lutem por seus objetivos, vale muito a pena, Um beijão pra todos aqueles que leram a minha entrevista e bons treinos!!!!!!!

TS - Adriana, muito obrigado pela entrevista e boa sorte em 2001.

30/01/01